Eu vim da Bahia
Eu vim
Eu vim da Bahia cantar
Eu vim da Bahia contar
Tanta coisa bonita que tem
Na Bahia, que é meu lugar
Tem meu chão, tem meu céu, tem meu mar
A Bahia que vive pra dizer
Como é que se faz pra viver
Onde a gente não tem pra comer
Mas de fome não morre
Porque na Bahia tem mãe Iemanjá
De outro lado o Senhor do Bonfim
Que ajuda o baiano a viver
Pra cantar, pra sambar pra valer
Pra morrer de alegria
Na festa de rua, no samba de roda
Na noite de lua, no canto do mar
Eu vim da Bahia
Mas eu volto pra lá
Eu vim da Bahia
Mas algum dia eu volto pra lá.
grande Gil!
Thursday, March 29, 2007
-estado de nostalgia insuportável-
Friday, March 23, 2007
vaivém
vai,
e volta
na volta
do tempo
que sai.
vai,
e solta
o salto
que assalto
nos meus olhos
que Abrolhos não viu.
vai,
e leva,
que a leva
da vida
se encarrega
de ir,
de vir,
de partir.
vai,
e ama,
que a trama
de nós
somos nós
que fazemos
assim.
vai,
sem fim,
que em mim
cabe a arte
e em ti
a agonia num estandarte.
vai,
com alegria,
que o dia,
sai todo dia,
novo e derradeiro.
vai,
pelo mundo inteiro,
até que os teus pés superem as dores,
que as cores
de tuas meias multi-coloridas
escondem.
vai,
com fome,
levar teu nome
pra onde ele anseia ouvir.
vai e vém,
no trem,
no além,
pra mim.
vai,
e volta
na volta
do tempo
que sai.
vai,
e solta
o salto
que assalto
nos meus olhos
que Abrolhos não viu.
vai,
e leva,
que a leva
da vida
se encarrega
de ir,
de vir,
de partir.
vai,
e ama,
que a trama
de nós
somos nós
que fazemos
assim.
vai,
sem fim,
que em mim
cabe a arte
e em ti
a agonia num estandarte.
vai,
com alegria,
que o dia,
sai todo dia,
novo e derradeiro.
vai,
pelo mundo inteiro,
até que os teus pés superem as dores,
que as cores
de tuas meias multi-coloridas
escondem.
vai,
com fome,
levar teu nome
pra onde ele anseia ouvir.
vai e vém,
no trem,
no além,
pra mim.
vai,
que vim
pra ti.
pra ti.
Thursday, March 22, 2007
Friday, March 02, 2007
movimento
refaz
o dia de quase sempre
a menina jaz
no mérito do shopping-center
e o menino segue a brincar no banheiro,
vez em quando muda de ares,
e liga seu video-game para uma aventura sem picadeiro.
pois é,
a garota que costumo gostar,
segue a namorar
e me tem ao esquecimento;
pior seria se só uma fosse,
são várias.
é,
chega a noite
e a gente só dorme tarde.
a noite é boa,
esfria, esquenta,
alivia, orienta.
...
Zé,
aquele lá trabalha hoje,
amanhã e depois de amanhã.
vida difícil aquela!
queira Deus trazer
muito prazer
e bom humor.
fé
é ingenuidade e também corrente
quem sabe a gente
muda o presente
e o futuro.
juro,
que no meu muro
escreverei teorema.
né,
João?
eu não te peço perdão
agora,
muito embora,
não posso olvidar-me de dizer-lhe:
obrigado amigo, muito obrigado.
praça da sé,
por quê toda cidade tem uma?
"haveria de existir tanta redenção!"
só assim o povo se libertaria,
acho que, enfim,
o autor
pensou assim
antes de compor.
e não dê ré.
viu?
gaste o bocado,
gaste o trocado,
gaste o gasto
da vida
e do coração.
aí não! ande a pé
dê ré
e volte a praça da sé
pra ver Zé
jogado em fé
por mané,
ou não,
ser ou não ser,
eis a questão...
castanho meus pêlos
se enveredam pela
horta do verão
e quanto mais gravo a versão de mim,
mais falsifico o estandarte,
mais omito a necessidade
de viver aqui,
no íntimo,
no público,
no rústico estado de liberdade,
Bahia ou putaria
qualquer
me cai bem,
se bem que de vez em quando
é bom mudar.
o dia de quase sempre
a menina jaz
no mérito do shopping-center
e o menino segue a brincar no banheiro,
vez em quando muda de ares,
e liga seu video-game para uma aventura sem picadeiro.
pois é,
a garota que costumo gostar,
segue a namorar
e me tem ao esquecimento;
pior seria se só uma fosse,
são várias.
é,
chega a noite
e a gente só dorme tarde.
a noite é boa,
esfria, esquenta,
alivia, orienta.
...
Zé,
aquele lá trabalha hoje,
amanhã e depois de amanhã.
vida difícil aquela!
queira Deus trazer
muito prazer
e bom humor.
fé
é ingenuidade e também corrente
quem sabe a gente
muda o presente
e o futuro.
juro,
que no meu muro
escreverei teorema.
né,
João?
eu não te peço perdão
agora,
muito embora,
não posso olvidar-me de dizer-lhe:
obrigado amigo, muito obrigado.
praça da sé,
por quê toda cidade tem uma?
"haveria de existir tanta redenção!"
só assim o povo se libertaria,
acho que, enfim,
o autor
pensou assim
antes de compor.
e não dê ré.
viu?
gaste o bocado,
gaste o trocado,
gaste o gasto
da vida
e do coração.
aí não! ande a pé
dê ré
e volte a praça da sé
pra ver Zé
jogado em fé
por mané,
ou não,
ser ou não ser,
eis a questão...
castanho meus pêlos
se enveredam pela
horta do verão
e quanto mais gravo a versão de mim,
mais falsifico o estandarte,
mais omito a necessidade
de viver aqui,
no íntimo,
no público,
no rústico estado de liberdade,
Bahia ou putaria
qualquer
me cai bem,
se bem que de vez em quando
é bom mudar.
Sunday, February 25, 2007
João andava na rua... corria que nem um só. Pulava corda, jogava sete-pedras, chupava geladinho, pegava na bunda das meninas e ouvia lorotas dos velhos na esquina.
João era menino danado de esperto, só não gostava de ver sua mãe só, em casa, chorando aos cantos pela saudade que apertava quando Ramiro, pai do garoto, não aparecia aos domingos.
Pois é, João cresceu e foi correr mundo. Hoje é caminhoneiro, homem honesto e batalhador. Não tem mulher, mas quando aparece alguma em seu percurso é com respeito que as trata. E olha que João nem entrou pra igreja, nem precisou frequentar seminário ou nada disso. Pelo contrário, João gosta mesmo é de tocar uma viola, tomar seu cafézinho ao entardecer, comer um bom do arrumadinho na beira da estrada e folhear seu mais novo livro - o Livro dos Sonhos, de Jack Kerouac.
rubro-negro
minha mirada
é meu plano-sequência
minha amada
é de tanta reticência
ah! meu pranto
cai, mas esconde o orgulho
santo
eu não levo embrulho
nem juro
que vou te aceitar
mas duro
quero não acontecer no porvir de amar.
é meu plano-sequência
minha amada
é de tanta reticência
ah! meu pranto
cai, mas esconde o orgulho
santo
eu não levo embrulho
nem juro
que vou te aceitar
mas duro
quero não acontecer no porvir de amar.
de lá de casa, de cá da estrada
o portão da casa,
a garagem esverdeada,
as janelas laterais,
a cozinha dos guardanapos, dos pratos,
dos panos de pratos
e das refeições,
os banheiros, o lavabo,
o tempo que se gasta e o tempo que se usa,
"Olha a água menino!"
o quarto,
da solidão e do aprendizado farto,
da rede de amigos, da libido e da angústia em não haver outro lugar pra eu vagar por aí,
a sala, a tevê,
a rotina e o simples prazer
em estar ali,
o quintal,
cachorros e o festerê dos finais de semana,
que tal, uma cervejinha antes do almoço?
é corrida a casa,
é corrido o mundo,
vaguei e me perdi, me encontrei, saí...
fui ver a vida debaixo dos trópicos,
e não me apetece os nórdicos,
mas carrego no umbigo humildade
pra volver
e orquestrar minha felicidade,
pra saber e pra disfrutar da mocidade,
hoje me achei no infortúnio
de não corresponder,
pois bem, amanhã almejo nos engrandecer,
e se valho a esperança
é então porque aqui cabe muita lembrança
do tempo em que fui irmão
e que fui filho,
do tempo em que os sonhos não floresciam na realidade
e que sequer se anunciavam as estações pra sorrir,
do tempo em que se comia menos besteira,
em que a gente inventava brincadeira
pra um só ao outro se fazer notável.
pois bem pai, pois bem mãe, pois bem rai,
eu reconheço a ausência dessa tinta de mim,
mas é que vocês também me ensinaram assim,
e hoje sou muito daquilo que vocês me construiram,
e que agradeço,
por zelo,
por uma singela forma de compor
a gratidão e o amor
que vocês me têm e me tiveram.
a garagem esverdeada,
as janelas laterais,
a cozinha dos guardanapos, dos pratos,
dos panos de pratos
e das refeições,
os banheiros, o lavabo,
o tempo que se gasta e o tempo que se usa,
"Olha a água menino!"
o quarto,
da solidão e do aprendizado farto,
da rede de amigos, da libido e da angústia em não haver outro lugar pra eu vagar por aí,
a sala, a tevê,
a rotina e o simples prazer
em estar ali,
o quintal,
cachorros e o festerê dos finais de semana,
que tal, uma cervejinha antes do almoço?
é corrida a casa,
é corrido o mundo,
vaguei e me perdi, me encontrei, saí...
fui ver a vida debaixo dos trópicos,
e não me apetece os nórdicos,
mas carrego no umbigo humildade
pra volver
e orquestrar minha felicidade,
pra saber e pra disfrutar da mocidade,
hoje me achei no infortúnio
de não corresponder,
pois bem, amanhã almejo nos engrandecer,
e se valho a esperança
é então porque aqui cabe muita lembrança
do tempo em que fui irmão
e que fui filho,
do tempo em que os sonhos não floresciam na realidade
e que sequer se anunciavam as estações pra sorrir,
do tempo em que se comia menos besteira,
em que a gente inventava brincadeira
pra um só ao outro se fazer notável.
pois bem pai, pois bem mãe, pois bem rai,
eu reconheço a ausência dessa tinta de mim,
mas é que vocês também me ensinaram assim,
e hoje sou muito daquilo que vocês me construiram,
e que agradeço,
por zelo,
por uma singela forma de compor
a gratidão e o amor
que vocês me têm e me tiveram.
eu e vovó
As lendas de vovó
muito em nó
desataram
na melancolia
que me partiram
de nostalgia
no exílio.
Ao sul eu volto
e voltarei aqui,
ao meu canto,
um dia
e outros tantos,
para aí quem sabe
trazer vovó
pra cá,
pra ver poesia
na costa do mar.
muito em nó
desataram
na melancolia
que me partiram
de nostalgia
no exílio.
Ao sul eu volto
e voltarei aqui,
ao meu canto,
um dia
e outros tantos,
para aí quem sabe
trazer vovó
pra cá,
pra ver poesia
na costa do mar.
Friday, February 23, 2007
agrestivos
- cabra agrestivo aquele que rogou perecer no tronco de Madalena. pouco sabia do envaidecer daquela fêmea.
-e era fêmea bixim?
- pois ora pois! e num era. era fêmea que nem tua mãe, aquela disgramada que conseguiu parir pra lá de uma cacetada.
- oxe home, fale assim de mãe não!
- ah! então pare de me atrapalhar de fabular. ói de lado que eu vou continuar de contar a estória pra Josias. viu Josias?
- oxe home! Josias já dormiu tem teeeempo...
- é, e tu nem pra avisar, né diacho?
- como que ia avisar? tu com esse tal fascínio pra ficar contando as coisa, sem querer que ninguém fale nada.
- mas avisar que o menino tava dormindo pelo menos tu podia, né?
- podia, mas tu parece mais um ditador quando a gente fala contigo.
- oxe diabo, queta vai! depois os outro que tão lendo esse caso vão achar que eu sou tirano mesmo.
- e tu né não?
- sou não. não te bato, não te espanco, não te abuso.
- mas me reprime.
- oxe, tá dodia é mulhé?
- tô dodia coisíssima niuma! quem é que não deixa eu falar o que penso na hora que eu quero? quem é, quem é? eu sou é mais uma dessas tuas personagens de fabulação que tu inventa e que sofre de amor, que sofre de angústia por não poder comer outra maçã, por não poder comer sequer maçã.
- queta mulhé! eu não quero que tu passe de mentirosa na frente dos outros não. isso não tá bonito não.
- tá vendo, tá? é pra isso que tu me quer. pra posar comigo. a mulhézinha arrumada, que fica de boca fechada, que não mente, que não trai e que certamente deve ser muito feliz e gozar contigo a noite inteira.
- ah diabo! agora tu vai ver quem é que não goza!
... e assim Nivaldo Sete Contos correu pra cima de Maria Belisca e a espancou num ritmo cinematográfico. Ele até sentiu tesão durante o ato, mas não resistiu ao fato dela noticiar sua morte masculina, ou pelo menos informações que nos levássemos a isso ou (a) quilo.
Formavam um casal bonito, como esse, como aquele, como tu e como eu, mas se desfez na reprodução de discurso e de ação. De versão machista, segregadora e que se repete mundo afora.
-e era fêmea bixim?
- pois ora pois! e num era. era fêmea que nem tua mãe, aquela disgramada que conseguiu parir pra lá de uma cacetada.
- oxe home, fale assim de mãe não!
- ah! então pare de me atrapalhar de fabular. ói de lado que eu vou continuar de contar a estória pra Josias. viu Josias?
- oxe home! Josias já dormiu tem teeeempo...
- é, e tu nem pra avisar, né diacho?
- como que ia avisar? tu com esse tal fascínio pra ficar contando as coisa, sem querer que ninguém fale nada.
- mas avisar que o menino tava dormindo pelo menos tu podia, né?
- podia, mas tu parece mais um ditador quando a gente fala contigo.
- oxe diabo, queta vai! depois os outro que tão lendo esse caso vão achar que eu sou tirano mesmo.
- e tu né não?
- sou não. não te bato, não te espanco, não te abuso.
- mas me reprime.
- oxe, tá dodia é mulhé?
- tô dodia coisíssima niuma! quem é que não deixa eu falar o que penso na hora que eu quero? quem é, quem é? eu sou é mais uma dessas tuas personagens de fabulação que tu inventa e que sofre de amor, que sofre de angústia por não poder comer outra maçã, por não poder comer sequer maçã.
- queta mulhé! eu não quero que tu passe de mentirosa na frente dos outros não. isso não tá bonito não.
- tá vendo, tá? é pra isso que tu me quer. pra posar comigo. a mulhézinha arrumada, que fica de boca fechada, que não mente, que não trai e que certamente deve ser muito feliz e gozar contigo a noite inteira.
- ah diabo! agora tu vai ver quem é que não goza!
... e assim Nivaldo Sete Contos correu pra cima de Maria Belisca e a espancou num ritmo cinematográfico. Ele até sentiu tesão durante o ato, mas não resistiu ao fato dela noticiar sua morte masculina, ou pelo menos informações que nos levássemos a isso ou (a) quilo.
Formavam um casal bonito, como esse, como aquele, como tu e como eu, mas se desfez na reprodução de discurso e de ação. De versão machista, segregadora e que se repete mundo afora.
Hoje um imbecil qualquer perguntou pelo nordestinozinho de merda que escreve essas coisas daí de cima e daqui de baixo, e imprimiu mais uma vez sua postura racista em relação ao meu povo e a mim. Venho através de coisa qualquer me fazer agrestivo e dizer que pão não me falta - pelo menos nessa conveniência -, mas já me faltou vez em quando e que somos todos emergentes para manifestar, viver e sumir desse rodízio de orgias e congressos. E sem mais nem menos, sem lema ou sem egresso, escrevo. Com mais, com menos, com uma bagunça na cabeça, com uma porção de cabelo pra tratar, ou não, e com um rebanho de idéia pra prender e aprender. Enfim, bêbado pra carai, só venho aqui pra não dizer que fui jogado às matas virgens do anoitecer. Sou santo sem fé, de lá do Agreste, criado por mãe, por pai, por vó e por gente simples, que me ensinou a gostar da vida e que falou: "vai meu filho, vai criar juízo!"
... e assim eu criei um juízo da porra. Desses de sacudir as estruturas, e quiçá, explodir na atmosfera parabólica dos arautos. Eu só não quero ser pregador de ninguém, nem sequer de mim, roupa amarela e singela da menina dos olhos d´agua - Terra.
Sou rocha viva também e digo mais: quem procura acha um cachorro pra brincar de pique-esconde, seja na selva ou em casa. Melhor é sair pra ver o mundo lá fora daqui da cabeça, de uma câmera 35mm ou de um passeio experdicionário.
Valerá a gente gozar antes, entre ou depois?
Entre nego, entre negas!
Valerá a gente gozar antes, entre ou depois?
Entre nego, entre negas!
Monday, February 05, 2007
baunilha com mangaba
pois bem
lua,
aquém
de qualquer rua,
eu caminho entre as nuvens
e seja lá por onde houver acaso
costuma ser no ocaso
que me acontece ver
você
numa canção
de constelação
maior que o meu anoitecer.
lua,
aquém
de qualquer rua,
eu caminho entre as nuvens
e seja lá por onde houver acaso
costuma ser no ocaso
que me acontece ver
você
numa canção
de constelação
maior que o meu anoitecer.
Thursday, February 01, 2007
Que Léo Goze O Existir
As cores deste fado
são dor
de limão
e amor
de mangaba.
Santo Amaro
gosto um bocado
e hoje viajei demais
na dela.
janela
de música
é sentir,
abrir
o coração.
ver gente
contente,
sem dente,
comendo pão,
tomando cerveja,
tomando na cara.
que tara
do povo,
ao novo
eu faço cinema
só pra ela
sem lema,
só, sem trela.
Luna, das cores
dentre os meus amores
hoje,
eis a mais bela.
a mais cheiro de fubá,
o mais ligeiro ônibus que eu pegar,
a mais, a menos,
o mais, o menos...
a menos extremista,
o menos grosseiro motorista.
Luna,
tão linda,
que veio, que vim
assim...
bem-vinda ao meu leve prosear!
cana-de-açúcar que ficou do caldo
dinheiro que zerou meu saldo
alegria
que valeu meu dia
e que virá amanhã
na van
de voltar pra casa
rasa
do acontecer.
viver
é bom
e é barato
é assalto
é dom
é dádiva
da luna
do céu...
que Léo
goze o existir.
são dor
de limão
e amor
de mangaba.
Santo Amaro
gosto um bocado
e hoje viajei demais
na dela.
janela
de música
é sentir,
abrir
o coração.
ver gente
contente,
sem dente,
comendo pão,
tomando cerveja,
tomando na cara.
que tara
do povo,
ao novo
eu faço cinema
só pra ela
sem lema,
só, sem trela.
Luna, das cores
dentre os meus amores
hoje,
eis a mais bela.
a mais cheiro de fubá,
o mais ligeiro ônibus que eu pegar,
a mais, a menos,
o mais, o menos...
a menos extremista,
o menos grosseiro motorista.
Luna,
tão linda,
que veio, que vim
assim...
bem-vinda ao meu leve prosear!
cana-de-açúcar que ficou do caldo
dinheiro que zerou meu saldo
alegria
que valeu meu dia
e que virá amanhã
na van
de voltar pra casa
rasa
do acontecer.
viver
é bom
e é barato
é assalto
é dom
é dádiva
da luna
do céu...
que Léo
goze o existir.
Wednesday, January 31, 2007
Quem disse que um peidinho não mata ninguém?
Um peidinho na hora da gemidinha fazia bem a ela. Ele muito se esforçava, mas aquela dimensão do dia, da rotina angustiante de protocolos e mais protocolos retornava sempre à sua cabeça quando ela o cutucava pelas nádegas numa manifestação pedinte.
É minha gente, Ambrósio jamais foi o mesmo depois daquela noite. Sua mulher, Teresa, cansou por tanto insistir, e adentrou com três dedos nas terras já demarcadas dele. Aquele cú nunca tivera recebido uma energia tão forte. Ele chiou de só penetrar, mas o norte da reação veio ao juízo. O rapaz estapeou a mulher toda, latente, com a tora empinada como cobra naja. Depois a colocou de quatro e abriu sua alma com pisões nas costas. A mulher desvaneceu como rapariga de bordel, que renega o cafetão e ele vai lá e faz o serviço sujo. Pois é, Teresa foi aos céus.
Ave Maria, misericórdia! Tais aí o progresso do stress. Só por causa de um peidinho...
É minha gente, Ambrósio jamais foi o mesmo depois daquela noite. Sua mulher, Teresa, cansou por tanto insistir, e adentrou com três dedos nas terras já demarcadas dele. Aquele cú nunca tivera recebido uma energia tão forte. Ele chiou de só penetrar, mas o norte da reação veio ao juízo. O rapaz estapeou a mulher toda, latente, com a tora empinada como cobra naja. Depois a colocou de quatro e abriu sua alma com pisões nas costas. A mulher desvaneceu como rapariga de bordel, que renega o cafetão e ele vai lá e faz o serviço sujo. Pois é, Teresa foi aos céus.
Ave Maria, misericórdia! Tais aí o progresso do stress. Só por causa de um peidinho...
Sunday, January 28, 2007
discaração
sou discarado,
convicto ao sabor
do maracujá de minha pomposa terra.
feira do agreste,
lugar de muito caba da peste
que faz guerra
de repente
e contente
por só encher o buxo
de um tal luxo
- comércio.
pois é fogosa poesia
eu me chamo ousadia
e quero que essa trova
sem vergonha,
assim sem contrato social,
oriunda daqui do meu quintal,
venha a ser relevante
no seu dia.
eu quero paquerar sua filha!
* texto encaminhado à Alice Ruiz. hehehe! a filha dela é massa. humhehumhehum (agora risos de bandoleiro)
convicto ao sabor
do maracujá de minha pomposa terra.
feira do agreste,
lugar de muito caba da peste
que faz guerra
de repente
e contente
por só encher o buxo
de um tal luxo
- comércio.
pois é fogosa poesia
eu me chamo ousadia
e quero que essa trova
sem vergonha,
assim sem contrato social,
oriunda daqui do meu quintal,
venha a ser relevante
no seu dia.
eu quero paquerar sua filha!
* texto encaminhado à Alice Ruiz. hehehe! a filha dela é massa. humhehumhehum (agora risos de bandoleiro)
Três Notas
Eu só direi
Três notas da sua intolerância:
Preconceito
Paternalismo
Poder.
Quanto ao que ensejo no porvir,
Três notas ameaçantes à sua agência:
Se prepare
Se plante
Se pique!
A dialética é também putaria
seu fela de uma moral cristã!
* dedicado a todos os donos de postos de combustíveis e assaltantes dos movimentos sociais.
Três notas da sua intolerância:
Preconceito
Paternalismo
Poder.
Quanto ao que ensejo no porvir,
Três notas ameaçantes à sua agência:
Se prepare
Se plante
Se pique!
A dialética é também putaria
seu fela de uma moral cristã!
* dedicado a todos os donos de postos de combustíveis e assaltantes dos movimentos sociais.
Saturday, January 27, 2007
Tome Nota
ói
eu disse a você um dia
que eu ia lhe levar daí
pois é
tome nota
eu vim praqui
foi pra varar a felicidade
saudade
crua
maldade nua você
eu ser
eu mesmo
sem grua
sem câmera
sem prêmio
Boêmio
Sou e serei
Amanhã hoje e depois de amanhã
Pois vã
Não é a lida
Que a mim
Me cabe
Levar você proutro lugar
Mais sujo mais belo
Mais cá.
eu disse a você um dia
que eu ia lhe levar daí
pois é
tome nota
eu vim praqui
foi pra varar a felicidade
saudade
crua
maldade nua você
eu ser
eu mesmo
sem grua
sem câmera
sem prêmio
Boêmio
Sou e serei
Amanhã hoje e depois de amanhã
Pois vã
Não é a lida
Que a mim
Me cabe
Levar você proutro lugar
Mais sujo mais belo
Mais cá.
Início
Vem de longa data
O amor que omito por eles;
É.
Quem sabe aprendo eu
Um dia
A olhar de baixo,
E acho
que aí,
O meu
Bloco de gostar
Vai cair do precipício.
Amizade,
Tolera
Minha galera
E trama
A sorte
Da gente que ama
Sem se dar conta
Da soma
De nós:
Início.
O amor que omito por eles;
É.
Quem sabe aprendo eu
Um dia
A olhar de baixo,
E acho
que aí,
O meu
Bloco de gostar
Vai cair do precipício.
Amizade,
Tolera
Minha galera
E trama
A sorte
Da gente que ama
Sem se dar conta
Da soma
De nós:
Início.
Monday, January 15, 2007
Leonisse
Dizem que ela voltará latinizada
Pode dexá!
Eu mesmo tratarei
De gozar em sua xereca esbranquiçada.
E em sua maçã de rosto suave
Voarei tal qual como ave.
Eu existo por rapina,
Aventuro minha sina
Pelo simples caminhar.
Leonisse - essa ousada prática de sarampantar.
Alemãs são maravilhosas
(quando vivem próximas aos trópicos).
Eu bem badejo,
Sou peixe entre guerra,
Famoso por minhas guelras,
E manso que nem ca(n)ção
De navegar.
Se hoje eu namoro,
É porque amanhã quem sabe eu possa casar,
Ou não!
Né não Caetano?
Macho já não sou,
Fêmea nem pensar.
Provedor é pra doutor,
Aqueles que se acham homens demais pra só estar.
Eu tô é em trânsito,
Em transe,
De boa, de boresta,
De barriga para o ar.
E invisto na luta dum dia
Esse machismo se findar.
Por enquanto vou-me ao lodo,
Esse de leoniar.
Assim cheirar cangotes
E avaliar os lotes
Que a vida me mostrar.
Sunday, January 14, 2007
À morena mais frajola da Bahia
Cordel de nós dois
Se a poesia de agora viesse leve
como você veio à mim,
eu, plebe,
gozaria por dois dias,
tal qual Boca do Inferno em Alecrim.
Cordel de nós dois inté que dá,
dá fruta mangaba, goiaba,
e uma porção de cajá.
Dá limão, pêra, melancia, laranja,
e o tal dito acalmante, maracujá.
Céu de nós dois aí é que brilha,
feito luar no alto do Sertão,
aceso, obeso,
de ilhas
numa constelação.
Nega frajola,
você aqueceu que nem um lampião
à Maria Bonita
uma trova
de paixão.
Cavalo meu vai,
vai em tropa e bandoleiro.
Pode ir agora
ou não querer ir ligeiro.
Cavalo meu vai,
vai com o tempo,
e caso haja vento,
que deixe-o levar pelo fado de fabular.
Se a poesia de agora viesse leve
como você veio à mim,
eu, plebe,
gozaria por dois dias,
tal qual Boca do Inferno em Alecrim.
Cordel de nós dois inté que dá,
dá fruta mangaba, goiaba,
e uma porção de cajá.
Dá limão, pêra, melancia, laranja,
e o tal dito acalmante, maracujá.
Céu de nós dois aí é que brilha,
feito luar no alto do Sertão,
aceso, obeso,
de ilhas
numa constelação.
Nega frajola,
você aqueceu que nem um lampião
à Maria Bonita
uma trova
de paixão.
Cavalo meu vai,
vai em tropa e bandoleiro.
Pode ir agora
ou não querer ir ligeiro.
Cavalo meu vai,
vai com o tempo,
e caso haja vento,
que deixe-o levar pelo fado de fabular.
Saturday, December 30, 2006
Manifesto do Calango Torto
nasci no êxodo, no exílio. nasci na contramão, na cidade menos favorecida do brasil - a cidade mais comercial deste mundo. feira de santana, Princesa do Sertão, assentada no agreste. inté nisso o povo escreveu errado! eta cidadezinha nojenta! cidadezinha retada de quente. ê cidade pra ter gente pra gostar de contar estória! todo mundo é repentista lá. cidade do caos, do sol, cidade das bonança, dos vaqueiro, dos enrolador de gente, cidade de um povo abestado a querer ser chique. os rico diz tudo que são da capitá, os pobre diz tudo que são do interior. e quem é de lá? sou eu? sou eu calango torto? sou eu. sou eu sim sinhô e sim sinhora. sou eu cabra retado, martratado nas angústia de viver ali sem um tostão, sem uma câmera na mão, mas com milhão de idéia e um coração sem juízo. pois então, é lá daonde eu vim e é pra lá donde eu vou, donde eu quero vortar estorvando e cinemando que nem um cabra da peste.
eu sou demais um sonho. sou o sonho. e isso é de menos e de mais, demais.
eu sou demais um sonho. sou o sonho. e isso é de menos e de mais, demais.
O lixo homônimo
Aqui,
Nessa luxúria da solidão
Me trajeto ao lixo homônimo
Que o luto me alcançou.
Pois deveras varejo,
Eu vario
E traquejo
Energias competentes pra vanguardiar.
Causo-me a causa
Dos nascidos em três de julho
E dos inviolados poetas curvos
Que sentiram a dor do mundo com todo peso nas costas.
Eu cansei de fabular o amor
Este de par, dos meus tempos remotos,
No trânsito e na ordem,
Posto que à margem da loto e ao fado da dor.
Hoje sairei à tardinha,
E amanhã virá um novo ano,
Mais leve, mais ousado,
Pra gente transar inté de se acabar.
Nessa luxúria da solidão
Me trajeto ao lixo homônimo
Que o luto me alcançou.
Pois deveras varejo,
Eu vario
E traquejo
Energias competentes pra vanguardiar.
Causo-me a causa
Dos nascidos em três de julho
E dos inviolados poetas curvos
Que sentiram a dor do mundo com todo peso nas costas.
Eu cansei de fabular o amor
Este de par, dos meus tempos remotos,
No trânsito e na ordem,
Posto que à margem da loto e ao fado da dor.
Hoje sairei à tardinha,
E amanhã virá um novo ano,
Mais leve, mais ousado,
Pra gente transar inté de se acabar.
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